domingo, 15 de agosto de 2010

Carlos Nelson foi apenas Carlos Nelson

1 - O conceito deste jornal acerca do prefeito Carlos Nelson Bueno não sofreu alteração alguma em consequência dos destrambelhos que proferiu durante a semana contra esta publicação. Nem a conduta editorial de O POPULAR vai se mover um milímetro sequer, para o seu lado ou contrário ao seu, em face do mesmo episódio. Afinal, este jornal não se move por humores de ocasião, mas pelas reflexões que faz em torno dos fatos de interesse dos mogimirianos.
Do mesmo modo, o nosso conceito acerca do político Carlos Nelson Bueno não se altera em uma vírgula, posto que uma coisa é autoridade e a forma que ela se conduz no exercício de seus misteres e outra é a personalidade e os métodos políticos e pessoais que emprega na relação com os cidadãos em geral.
Começando pela segunda vertente, o sr. Carlos Nelson Bueno é, como de todos sabido, um exemplar proeminente na fauna política que adota a prática do ataque e da ofensa a quem – segundo seu confuso juízo – ousa atravessar o seu caminho e não lhe reconhece como o único onisciente sobre a face da terra. Erige-se, como conta seu largo histórico, na condição de infalível, como se um ente diferenciado fosse no conjunto da humanidade. Por essa razão, em tudo quanto não lhe agrada ou o incomoda, há maldade como mote.
Nesse aspecto, ao proferir a logorreia noturna de terça-feira, em seu programa de televisão, pago com dinheiro dos cidadãos, Carlos Nelson Bueno nada mais foi do que Carlos Nelson Bueno. Sem tirar nem por. Dele se aguardem sempre manifestações desse jaez. Daí porque O POPULAR dá o fato como encerrado, considerando a inutilidade de que se revestiria o alongamento da discussão, sob o ponto de vista do interesse do leitor.


2 – Cabe, agora, uma palavra relativamente ao desempenho do desafeto gratuito desta publicação como gestor da cidade, que é de fato o que interessa. Pois, em seu governo e meio, Carlos Nelson Bueno nada mais tem sido do que Carlos Nelson Bueno. Semelhante ao que fez em Mogi Guaçu, aqui também planta obras pela cidade. E, diga-se por justiça, nesse aspecto constrói um saldo positivo, sobretudo no que diz respeito ao âmbito urbanístico, em que promoveu cirurgias importantes no tecido urbano de Mogi Mirim.
Faz, segundo avaliação deste periódico, um bom governo. Mas, a isto não é capaz de agregar a humildade necessária para considerar o contraditório e ao que soma uma exuberante dose de arrogância, como se todos devessem, por dever de plebe, se curvar ante os decretos do rei. Mas, isso também é o de menos.
É imprescindível lembrar, todavia, que nem por isso a sociedade lhe deve gratidão e mesuras. Fazer é do dever. Fazer bem feito é responsabilidade inalienável a quem se oferece para gerir os interesses dos cidadãos. E, no caso do sr. Carlos Nelson Bueno, é dever maior ainda, posto que, notoriamente, usou Mogi Mirim como abrigo para suas intermináveis ambições de poder, quando se viu compelido a se exilar de sua cidade de origem, defenestrado que foi exatamente em consequência de seus anacrônicos procedimentos políticos.
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Editorial de O POPULAR, edição de 14 de agosto de 2010, sábado

2 comentários:

Fernando Parizi disse...

Ui, sem vaselina?

Anônimo disse...

Valter,

O JC dedicou o editorial do último sábado, 21, a esse lamentável episódio.

Abraços,

André Paes Leme