sábado, 7 de novembro de 2009

A mídia é má?

A ministra Dilma Roussef, candidata de Lula à presidência, ataca ‘parte’ da mídia, que segundo ela age com deliberada má vontade em relação ao governo.
Lá em cima é assim. Aqui em baixo também. A imprensa é acusada de privilegiar apenas o negativo, escondendo o que acontece de bom.
Então, concordam eles: a mídia é má.
A imprensa tem suas fraquezas, erros, vícios. Aqui e em qualquer parte do mundo. Afinal de contas, nem poderia ser de outro jeito, uma vez que é feita por seres humanos. Portanto, falíveis.
Do alto dos seus profundos conhecimentos sobre o tema, Lula acha que os jornalistas não devem fiscalizar. Só informar.
Na Argentina, a família Kirchner anda criando sérias dificuldades aos jornais independentes, em nítida conduta ditatorial.
A mídia não é má, exceto para aqueles que a querem capitulada ou cooptada. E é o que os poderosos do terceiro milênio querem fazer dela. Em Brasília, em Buenos Aires e em Mogi Mirim.

Em cima do laço

O projeto de revisão do IPTU pode ser votado na Câmara no que antigamente se chamava “em cima do laço”. A Prefeitura levou 10 meses para elaborar a matéria, que agora tem que ser votada em 45 dias.
Se o ritual fosse rigorosamente obedecido, só nas duas comissões pelas quais tem que passar a matéria consumiria 30 dias. Em cada uma, permaneceria 15 dias. Mas, se quiserem adotar velocidade de Fórmula 1, as comissões podem abreviar esse prazo a um dia.
Pela predominância que o governo tem nas comissões, é previsível que os pareceres sejam emitidos celeremente. E então o abacaxi vai com casca e tudo ao plenário.
A partir daí, prevejo calor, mesmo por muito que o projeto de agora seja melhor que aquele rifado no final do ano passado. E não se sabe se é ou não porque, até agora, dele só são conhecidos fragmentos.

Bombas, bombas, bombas...

Governador de plantão por apenas três dias, o deputado estadual Barros Munhoz foi saudado pirotecnicamente durante três minutos e meio. Contei no relógio. Por mera curiosidade. Ou por rabugice mesmo.
Nada demais, considerando que é mesmo prática usual entre autoridades públicas se saudarem com a queima de fogos. Aliás, Munhoz foi mestre no expediente, nas três vezes que governou Itapira.
Me ocorreu pensar uma coisa, depois do barulho de quarta-feira.
Quando vier a cidade, o que deve acontecer no começo do ano, Serra merecerá horas de saudação pirotécnica. Afinal, não só é o titular como está no posto há três anos.
Portanto, a Caramuru que intensifique a produção e reforce o estoque.

sábado, 24 de outubro de 2009

Os excluídos

Suzete Rodrigues de Moraes foi apeada da direção do Departamento Administrativo por aquilo que seria responsabilidade solidária: não foi a autora do erro na questão dos pagamentos indevidos a servidores, mas pagou pela hierarquia do cargo.
Alexandre Fantinato Cruz deixou o Financeiro por exaustão nas relações administrativas com o prefeito. Não abriu mão de rezar pela cartilha à qual obedece há décadas.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Santo Deus. Outra vez?

1 – Os leitores e os usuários habituais do hospital da Santa Casa devem considerar uma monumental chatice que, frequentemente, a instituição seja alvo de abordagens em face dos problemas que a envolvem ou que se faz envolver.

No caso mais recente, eu pessoalmente tomei um tremendo susto ao conhecer, já na hora final da edição de sábado, uma nota seca do hospital, informando que os conveniados da Unimed estavam desde então desassistidos, já que fora rompido o acordo entre a cooperativa e a Santa Casa.

Desde logo, fique claro: não sou conveniado da Unimed. Pessoalmente, portanto, a questão não me atinge. Pessoalmente, também não tenho queixa alguma da Santa Casa. Nas poucas vezes que entrei no hospital, fui bem tratado e saí vivo.

Feitas as ressalvas, volto à “vaca fria”, como dizia Quércia. A notícia do rompimento do contrato entre as partes punha, de novo, a Santa Casa no olho do furacão. Mais uma crise, mais bate-boca, mais ataque e contra-ataque.

Ora, a crise na relação hospital-cooperativa não pode ser tratada pelo ângulo particular. É problema público sim, desde que envolve a saúde de milhares de pessoas. E estou convencido de que devem beirar mesmo a 30 mil, considerando titulares e dependentes dos planos de saúde oferecidos pela Unimed.

2 – Até aqui, foi relato. Mas, é difícil ir muito além de estranhar tudo que vem acontecendo por um aspecto que confessei à vereadora Maria Alice Mostardinha, em conversa telefônica no sábado. A instituição, pelo seu caráter privado, embora filantrópica, é impenetrável. E então disse-lhe que não consigo, à distância, localizar o ponto que vem dando origem a tantas confusões envolvendo o hospital.

Eu me recordo que, há cerca de 10 anos, a entidade ocupava espaços na imprensa pela crise financeira que vivia e que chegou a por em risco sua sobrevivência. Através de uma série de atitudes, a crise financeira foi superada e o hospital saiu do foco.

Eis que, de tempos para cá, a Santa Casa de Misericórdia de Mogi Mirim torna-se freqüentadora assídua dos noticiários por envolvimento em conflitos, muito embora também ocupe espaço quase regularmente por melhorias e programas internos que a qualificam. O Gerar é um desses casos, a instalação da UTI Neonatal é outro. Mas, o que predomina são colisões.

3 – Tenho insistido na tese de que há profunda omissão social em relação à instituição, pela sua origem, pela sua história e pela sua finalidade precípua que é, antes de amealhar dinheiro, socorrer vidas. Há um fosso, um Atlântico entre a Santa Casa e aquilo que antigamente chamávamos de “forças vivas” da cidade, que silenciam e dão de ombros.

Mas, também não posso me furtar a confessar o que minha consciência me manda pensar: a instituição está devendo uma conversa com a sociedade. Explico: a Santa Casa não é de propriedade do provedor, do diretor executivo, do corpo clínico, mas um bem público assim nascido. Não patrimonialmente, mas no que representa de instrumento a serviço da vida. Não da vida de alguns. Mas, da vida da comunidade.

domingo, 18 de outubro de 2009

Santa Casa diz que conveniados da Unimed serão atendidos pelo SUS

Cerca de 48 horas depois de deflagrada a crise, a Santa Casa expediu nota oficial no início da madrugada desta segunda-feira, informando que os conveniados da Unimed “serão atendidos através do SUS”.
Na sexta-feira, a entidade anunciou o rompimento do contrato mantido com a cooperativa medida.
A nota agora distribuída assinala que “não foi a Santa Casa quem rescindiu o contrato, mas, sim, houve rescisão automática de pleno direito, tendo em vista que a UNIMED descumpriu uma cláusula contratual”.
O descumprimento da cláusula teria sido caracterizado pela decisão unilateral da Unimed de reduzir em 20% o valor pago ao hospital por procedimentos prestados por este.
A Unimed alegou que a suspensão do contrato deixaria a descoberto cerca de 30 mil pacientes, entre conveniados titulares e dependentes de seus planos de saúde.
Veja a seguir a íntegra da nota oficial distribuída pela Santa Casa nos primeiros minutos da madrugada desta segunda-feira:

NOTA OFICIAL À IMPRENSA
"A Santa Casa de Misericórdia de Mogi Mirim informa que tentou por várias vezes negociar com a Unimed da Baixa Mogiana para manter o atendimento dos usuários daquele convênio.
Em documento encaminhado à Santa Casa no dia 28 de setembro, a cooperativa informou ao hospital de que reduziria em até 20% o valor pago por serviços prestados pela Santa Casa a partir do mês de outubro.
A se manter o atendimento aos usuários da UNIMED nas qualidades pretendidas pela cooperativa, a Santa Casa certamente teria sérios prejuízos.
Para continuar a prestar um serviço de qualidade, a Santa Casa não pôde aceitar a imposição da Unimed e tentou por várias vezes negociar, mas a cooperativa se manteve irredutível.
A decisão da Unimed de reduzir os valores de maneira unilateral foi arbitrária, uma vez que o contrato assinado entre a Santa Casa e Unimed estabelecia que os preços previstos no contrato de prestação de serviços seriam reajustados anualmente, sempre em comum acordo pela vontade de ambas as partes.
Importantíssimo esclarecer que não foi a Santa Casa quem rescindiu o contrato, mas, sim, houve rescisão automática de pleno direito, tendo em vista que a UNIMED descumpriu uma cláusula contratual.
Está no contrato que a infração por quaisquer das partes a uma ou mais cláusulas do contrato, acarretaria sua rescisão de pleno direito, independentemente de notificação ou interpelação judicial ou extrajudicial.
Apesar de ter parcerias firmadas com outros hospitais da região, a Unimed quis reduzir os custos apenas com a Santa Casa de Mogi Mirim.
Todos os usuários que procurarem o hospital serão atendidos através do SUS, com o mesmo respeito e qualidade dos serviços dispensados à população.
Respeitosamente,A Santa Casa de Misericórdia de Mogi Mirim.

sábado, 17 de outubro de 2009

Aumentar imposto é necessário ou não é?

O prefeito de Mogi Guaçu, Paulo Barros, desistiu da idéia de corrigir os valores dos imóveis, que servem de base de cálculo para o IPTU.
A revisão inevitavelmente provoca aumento de impostos. E não seria feita se não fosse para isso. Para aumentar a receita pela via do aumento dos valores pagos pelos contribuintes.
Paulinho recuou ao perceber, durante reuniões que promoveu para debater o assunto, que a medida não era apoiada pela população.
Em Mogi Mirim, Carlos Nelson tentou a mesma coisa em 2008. O projeto esbarrou em decisão judicial, que suspendeu a sua votação, e o prefeito retirou a proposta.
Agora, tenta outra vez. Ao que se informa, são feitos estudos internos para definir novo projeto. Sobre o assunto, Carlos Nelson ouviu os vereadores da base.
Nenhum se comprometeu em aprovar a matéria. Óbvio. Falar em aumento de impostos para vereador é o mesmo que falar de corda em casa de enforcado.
Agora, pergunto: haverá alguém, seja povo ou político, que ache legal e simpático aumentar imposto? Claro que não.
Então, é preciso ter coragem de levar adiante a proposta, mesmo diante de reações, se partindo do pressuposto de que o aumento é necessário. E pagar o preço.
Detalhe: se é necessário, é possível fazer sem assaltar o bolso do contribuinte. O problema é avareza. Querer tudo de uma vez só.
Agora, se não é necessário e comporta recuo, como fez Paulinho, então porque encher o saco de todo mundo com a ameaça?